
A arte de dobrar papel, embora com maior tradição no Japão, começou na China por volta do I e II século d.C. sendo transposto para o Japão por volta do século VI d.C.
Foi no ano 105 d.C. que Tsai Lun, na China, colocou em prática um processo de fabricação do papel e com isto apareceu o Origami sendo utilizado em cerimónias religiosas. Era tradição chinesa recriar pequenos objectos usados durante a vida de uma pessoa que seria queimada ou enterrada quando essa pessoa morresse.
No Japão, no período Heian (794 – 1185), que abarca o período de introdução do papel, o Origami já fazia parte significativa da vida cerimonial da nobreza japonesa.
Uma das figuras mais antigas é datada do século XII que é o noshi e que era atado a um pacote como símbolo de presente e simbolizava também fortuna. Os samurais tinham hábito de trocar esta prenda entre si.
Os Sacerdotes Shinto celebravam os casamentos acompanhados de copos de Sake decorados com figuras de borboletas em papel, macho e femeas, para representar a noiva e o noivo.
Os mestres das cerimónias do chá recebiam os seus diplomas especialmente dobrados em segredo e uma vez desdobrados teriam de voltar a ser dobrados mas com dobras extras a fim de provar que o documento fora realmente aberto e lido.
Flâmulas de papel branco cortadas em zig-zag (o-shide) eram colocadas à entrada dos santuários. O branco era símbolo da paz e da pureza.
Só no período heijo (806 – 809) foi possível a introdução do papel no país ao qual se seguiu também o desenvolvimento dos Origamis. Como o papel nessa altura era muito caro, não só se valorizava a sua compra como também o seu uso, e o Origami, tendo como material o papel, tornou-se uma arte de alto simbolismo. Note-se que até servia de distinção hierarquica pois os samurais e os camponeses não tinham a mesma maneira de dobrar papel.
No período MuromachiTaisho (1338 – 1573) os estilos dos Origamis continuavam a distinguir as outras classes da aristocracia samurai mas foi nesta altura que esta arte se popularizou.
No período Edo ou Tokugawa (1603 – 1867) houve uma democratização do Origami como arte e cultura do Japão. É neste período que se conhece o tsuru em que foi publicado no “Senbazuru Orikata- como dobrar 1000 Tsurus” e com ele a base do pássaro. Em 1845 é publicado “Kan no mado – Window on Midwinter” que é a primeira colecção de figuras de Origami. Eram conhecidos por volta de 70 modelos.
Neste período o origami já não tinha um intuito puramente cerimonial aparecendo agora o Origami criativo, possível devido ao barateamento e popularização do próprio papel.
No período Meiji (1868 – 1912) o Origami foi introduzido no programa escolar devido ao seu caracter ludico e didactico como forma de educar as crianças nas habilidades manuais com a ponta dos dedos. Hoje em dia também se tem apontado o forte valor educativo do Origami como actividade criativa livre e como actividade auxiliar no ensino básico da geometria.
Durante o período Taisho (1912 – 1926) o Origami exigia certas direcções precisas não sendo nesta época muito bem recebido já que os educadores favoreciam antes a originalidade e criatividade. No entanto isso foi passageiro e o Origami reconquistou rapidamente a sua popularidade, prova disso foi quando começaram a circular papeis quadrados de aproximadamente 15cm.
Neste ponto é importante falar história destes papéis quadrados que data do fim do século XIX e surgiu em Yushima, um distrito de Tóquio, em que um vendedor trouxe da Europa papéis coloridos e os cortou em quadrados. Agrupou depois as folhas num conjunto a que deu o nome de Origami. Note-se que até aqui o Origami tinha outros nomes (Kamiorimono, Orisue, Origata, Tatamigata) e empregava papel branco de ambos os lados (Hanshi), em rectangulo.
A partir daqui o origami foi sempre associado a folhas quadradas embora agora alguns origamistas já tenham voltado a usar rectangulos e até triangulos. Não se sabe ao certo porque resolveu este vendedor cortar os papéis em quadrados mas pensa-se que terá sido devido a algumas dobras tradicionais como o tsuru, o balão, o yakko (servidor), o sambô (porta bandeja) serem todas feitas a partir de uma folha quadrada.
Fonte:
Texto construído a partir de:
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The origami handbook by Rick beech
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Joseph Wu - origamihome

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